O Ano Internacional da Agricultura Familiar (AIAF) 2014
não podia deixar-nos indiferentes, tendo em conta que este blogue visa, desde
logo, despertar a atenção e o interesse para questões relacionadas, entre
outros temas, com as ciências. Revendo o post em que falámos dos resultados
PISA dos alunos portugueses, é bom recordar que, nesta prova, um dos domínios
de análise da literacia científica se prende com as atitudes e, neste âmbito,
é, entre outros aspetos, considerada a motivação para agir com responsabilidade
face a, por exemplo, os recursos naturais e o ambiente. No que toca aos contextos
utilizados na avaliação de literacia científica no PISA 2006, há, ainda, que
ter em conta que, no âmbito dos recursos naturais, a produção e a distribuição
de comida enquanto comunidade são alguns dos aspetos visados.
Ao marcar este ano como o ano da agricultura familiar, a
FAO visa aumentar a visibilidade desta forma de praticar agricultura e dos
pequenos agricultores, focando a atenção mundial no importante papel que detêm na
erradicação da fome e da pobreza, no garante de segurança alimentar e
nutricional, na melhoria dos meios de subsistência, na gestão dos recursos
naturais e na proteção do meio ambiente, contribuindo, também, para o
desenvolvimento sustentável. Assim, tal como se pode ler no site da FAO, “o
objetivo do AIAF 2014 é reposicionar a agricultura familiar no centro das
políticas agrícolas, ambientais e sociais nas agendas nacionais, identificando
lacunas e oportunidades para promover uma mudança rumo a um desenvolvimento mais
equitativo e equilibrado.”
Em Portugal, temos, na verdade, vindo a assistir a um
fenómeno de crescente interesse pela agricultura,
ocupando a “micro”agricultura um importante espaço, até pelo seu contributo
para a subsistência das famílias, em tempos de marcada crise económica. O estabelecimento
de redes municipais de hortas urbanas que, de norte a sul do país, se vem tornando
uma realidade para um muito elevado número de municípios espelha uma visível
preocupação institucional com esse tema. O objetivo destes municípios é responder
ativamente à crescente procura de espaços urbanos para instalação de hortas,
criando condições para a prática da agricultura sustentável em contexto urbano,
maximizando “os benefícios decorrentes da prática da agricultura urbana, quer
para o ambiente quer para a qualidade de vida das pessoas, designadamente: a
geração de micro-rendimentos familiares, a promoção da coesão social, das
relações inter-geracionais e inter-culturais, o melhoramento do solo e do
equilíbrio do ciclo hidrológico urbano”, como refere, por exemplo, o site do
Município de Vila Nova de Gaia.
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