quinta-feira, 15 de maio de 2014

"Missão impossível"?

A leitura nunca é uma missão impossível, seja qual for a área de interesse do leitor. A leitura de manuais de instruções/de equipamentos é tão válida quanto a leitura de textos literários, tudo depende dos interesses do leitor, daquilo com que ele se identifica e com que se sente motivado. A importância da leitura decorre, em grande medida, do facto de pôr o leitor em contacto com um corpo linguístico muito mais vasto do que aquele com que se depara na comunicação oral e, nessa medida, tal missão é cumprida por qualquer texto escrito suficientemente cuidado e extenso para requerer a atenta análise por parte do leitor.
Como é evidente, um texto rico em sentidos, em estruturas gramaticais diversificadas elaboradas, pleno de recursos de estilo é bastante mais eficaz do que, por exemplo, um manual de funcionamento de um dado equipamento. Contudo, nem todo o leitor é um ávido "consumidor" de literatura. A frequência com que nos dedicamos a esta atividade é, de igual modo, de extrema relevância e, embora haja estudos sobre o impacto dos suportes usados para tal, para o presente argumento é o ato de ler em si que é determinante. Ler, seja qual for a tipologia de texto preferida ou o suporte selecionado, e ler com frequência é a missão para a qual qualquer biblioteca escolar se propõe dar o seu contributo.
Precisamente para as ajudar nesse sentido, fomentando, ainda, o contacto dos mais jovens com a China e com Macau, a Fundação Jorge Álvares promove 2 iniciativas: o projeto Biblioteca Digital Fundação Jorge Álvares (produzida pelo Centro de Investigação para Tecnologias Interativas da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa), uma plataforma digital com recursos multimédia que compreende livros da Escola Portuguesa de Macau sobre história e cultura da China e de Macau, e a edição do livro Missão "Impossível", tendo apresentação pública marcada para 20 de maio, pelas 12:00, para professores bibliotecários, e pelas 18:00, para o público em geral. 
Prometidas, pois, novidades a partir da próxima semana!



terça-feira, 13 de maio de 2014

E quando a imaginação não pára...

Podemos ter hortas tão interessantes, mesmo se mínimas... Porque não seguir exemplos como o da Fundação de Serralves e criar hortas com os nossos alunos? Muito se pode ensinar, em todas as disciplinas, tendo por referência uma horta!

Ambiente, recursos naturais e produção agrícola - onde nos levam as ciências...

Ano Internacional da Agricultura Familiar (AIAF) 2014 não podia deixar-nos indiferentes, tendo em conta que este blogue visa, desde logo, despertar a atenção e o interesse para questões relacionadas, entre outros temas, com as ciências. Revendo o post em que falámos dos resultados PISA dos alunos portugueses, é bom recordar que, nesta prova, um dos domínios de análise da literacia científica se prende com as atitudes e, neste âmbito, é, entre outros aspetos, considerada a motivação para agir com responsabilidade face a, por exemplo, os recursos naturais e o ambiente. No que toca aos contextos utilizados na avaliação de literacia científica no PISA 2006, há, ainda, que ter em conta que, no âmbito dos recursos naturais, a produção e a distribuição de comida enquanto comunidade são alguns dos aspetos visados.
Ao marcar este ano como o ano da agricultura familiar, a FAO visa aumentar a visibilidade desta forma de praticar agricultura e dos pequenos agricultores, focando a atenção mundial no importante papel que detêm na erradicação da fome e da pobreza, no garante de segurança alimentar e nutricional, na melhoria dos meios de subsistência, na gestão dos recursos naturais e na proteção do meio ambiente, contribuindo, também, para o desenvolvimento sustentável. Assim, tal como se pode ler no site da FAO, “o objetivo do AIAF 2014 é reposicionar a agricultura familiar no centro das políticas agrícolas, ambientais e sociais nas agendas nacionais, identificando lacunas e oportunidades para promover uma mudança rumo a um desenvolvimento mais equitativo e equilibrado.”
Em Portugal, temos, na verdade, vindo a assistir a um fenómeno de  crescente interesse pela agricultura, ocupando a “micro”agricultura um importante espaço, até pelo seu contributo para a subsistência das famílias, em tempos de marcada crise económica. O estabelecimento de redes municipais de hortas urbanas que, de norte a sul do país, se vem tornando uma realidade para um muito elevado número de municípios espelha uma visível preocupação institucional com esse tema. O objetivo destes municípios é responder ativamente à crescente procura de espaços urbanos para instalação de hortas, criando condições para a prática da agricultura sustentável em contexto urbano, maximizando “os benefícios decorrentes da prática da agricultura urbana, quer para o ambiente quer para a qualidade de vida das pessoas, designadamente: a geração de micro-rendimentos familiares, a promoção da coesão social, das relações inter-geracionais e inter-culturais, o melhoramento do solo e do equilíbrio do ciclo hidrológico urbano”, como refere, por exemplo, o site do Município de Vila Nova de Gaia.



segunda-feira, 12 de maio de 2014

Cosmos... ainda as ciências...

O programa "Cosmos: Odisseia no espaço" passa na National Geographic Channel às segundas-feiras à noite e é, sem sombra de dúvidas, um dos momentos altos da semana televisiva.
A não perder, esta extraordinária viagem pelo mundo da ciência que somos levados a realizar, dando-nos conta que, na verdade, ciência não é algo de abstrato e distante da maioria de nós e é, sim, a nossa realidade, aquela com que convivemos constantemente. Uma rápida mas atenta passagem por http://www.natgeotv.com/pt/cosmos/videos é suficiente para nos interessar por mais uma maravilha de Carl Sagan.

Dorothy Hodgkin - uma homenagem

Hoje, dia 12 de maio, a bioquímica britânica Dorothy Hodgkin, a única mulher cientista desta nacionalidade a quem foi alguma vez atribuído o Prémio Nobel, faria 104 anos, caso fosse viva. 
Nascida no Egipto, em 1910, muito cedo se interessou pela química e pelos cristais, tendo estudado em Oxford e em Cambridge. O seu trabalho pioneiro ajudou a estabelecer a estrutura das proteínas, incluindo a da insulina, a qual estudou ao longo de mais de 30 anos. É-lhe, ainda, reconhecido o estudo das estruturas da vitamina B12 e da penicilina.
Além do prestigiado Nobel, que recebeu em 1964, foi, também, distinguida com a reputada medalha Copley, entre outras distinções. Apesar destes tão prestigiantes reconhecimentos da sua carreira como cientista, a imprensa britânica, curiosamente (ou não!), não conseguiu evitar a contaminação dos preconceitos da época e noticiou os seus feitos, anunciando-os com títulos como "Oxford housewife wins Nobel" (para o Daily Mail é a dona de casa que vence o Nobel) e "British woman wins Nobel Prize - £18,750 prize to mother of three" (para o Telegraph é o valor do prémio atribuído à mãe de 3 filhos que é posto a par da distinção).
Morreu a 29 de julho de 1994.
Hoje homenageada pelo Google com um Google Doodle, o seu contributo foi crucial para o mundo científico e muito se lhe fica a dever no que toca à qualidade e à esperança de vida. 
Fica a homenagem a esta cientista, esperando que incentive, com o seu exemplo, os nossos jovens alunos a dedicarem-se ao estudo das ciências. 



Semanas polares... o que se anda a fazer...

A página do Facebook Semanas Polares, que integra os projetos "Educação Propolar" e "Profissão: Cientista Polar", associados ao PROPOLAR, APECS & PEI, mostra o que se anda a fazer pelo mundo no que toca à educação sobre as regiões polares. Das redes internacionais de professores e de educadores polares às participações de escolas e de alunos em atividades variadas, vale a pena seguir esta página:
https://www.facebook.com/semanaspolarespt

terça-feira, 6 de maio de 2014

Semana polar março 2014... mais uma vez, o que temos vindo a fazer...

Após a publicação, pela Biblioteca Escolar Cândida Reis em articulação com Geografia, de um testemunho do que tem vindo a ser o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos sete anos, é agora possível divulgar publicamente em pleno o que foi apenas vislumbrado num post anterior, com a imagem de um cartaz, sem qualquer tipo de leitura do texto. Nessa altura, a publicação ainda não tinha visto a luz do dia e não podia, por essa razão, ser aqui divulgada, antes de cumprir o propósito para o qual foi criada, o de marcar a semana polar março 2014 e chegar às mãos do cientista polar José Xavier, investigador da Universidade de Coimbra, cujo comentário deixo aqui transcrito:
"Está fantástico. Já o li com muito interesse e o coloquei na nossa página de facebook.
EB 2,3 de Cucujães a inspirar o país!!!!
Beijinhos e parabéns novamente"
E embora não sejamos já uma EB2,3 e sim a EBS Dr. Ferreira da Silva, o cumprimento enche-nos de orgulho!

domingo, 4 de maio de 2014

E depois do som... a escrita!

É bem certo que começámos por falar e, só posteriormente, nos dedicámos a desenvolver a escrita. No que diz respeito aos contos e às histórias em geral, tenho uma particular preferência por que mos contem, sou mesmo uma entusiasta admiradora dos contadores de histórias! A arte que não é preciso ter para contar uma história, captar toda a atenção do público e mantê-lo preso apenas à voz, nada mais do que à voz e, ainda assim, encantar uma audiência, seja ela numerosa ou reduzida... 
Selecionei o conto que pode ser ouvido na mensagem anterior pelas razões que aí deixei indicadas e porque considero que a edição usada merece ser divulgada, conhecida e admirada.


A imagem desta obra foi publicada em telhadogato.blogspot.com e a opção pela mesma nesta publicação, e não outra apenas com a capa do livro, prende-se com a evidente ligação à natureza, às plantas...
Uma vez que o texto usado é demasiado extenso para ser aqui publicado na totalidade sob a forma escrita, fica uma versão truncada, cortada, como forma de estimular a curiosidade para a leitura integral da obra e dos seus mais de 200 contos (que, calma, podem ser lidos ao ritmo que desejarmos, o tempo está aí para ser usado na leitura e pode medir-se em minutos, dias, semanas, meses, anos!!).

A beterraba (versão escrita!)

"Era uma vez dois irmãos que serviam como soldados, e um era rico e o outro era pobre. Depois, o irmão pobre, querendo sair da penúria, despiu a farda de soldado e tornou-se lavrador. Cavou e trabalhou a terra no seu pequeno terreno e semeou sementes de beterraba. A semente germinou e deu uma beterraba que era grande e forte, e foi ficando cada vez maior, e não parava de crescer (...) o camponês não sabia o que fazer com a beterraba, nem se ela seria a sua fortuna ou a sua desgraça. (...) meteu-a na carroça, atrelou dois bois, levou-a ao palácio e ofereceu-a ao rei. "Mas que coisa estranha é esta?", perguntou o rei. "Já vi coisas estranhas, mas nunca tinha visto um monstro destes! De que semente germinou? Ou será que és um felizardo e só acontece contigo?" "Ai, não", respondeu o camponês, "não sou felizardo nenhum. Sou um pobre soldado que, não conseguindo o seu sustento, pendurou a farda de soldado e passou a dedicar-se à agricultura. (...) O rei teve pena dele e disse: "Deixarás de ser pobre (...) Ofereceu-lhe então uma quantidade de ouro, terras, campos e rebanhos e tornou-o imensamente rico, e a riqueza do outro irmão nem era comparável à dele. Ouvindo dizer o quanto o irmão conseguira com uma só beterraba, o outro encheu-se de inveja e pôs-se a matutar como poderia fazer para também ter uma sorte daquelas. Mas resolveu ser muito mais esperto. Arranjou ouro e cavalos e levou-os ao rei, julgando que este lhe daria em troca um presente muito maior, pois, se o irmão recebera tanto por uma beterraba, o quanto não receberia ele por aquelas coisas tão bonitas. O rei recebeu o presente e disse que não tinha para lhe dar em troca nada de melhor nem mais raro do que a grande beterraba. E assim o rico teve de mandar colocar a beterraba numa carroça e levá-la para casa. Em casa, não sabia sobre quem descarregar a raiva e a fúria, até que lhe ocorreram pensamentos malvados e decidiu matar o irmão. Contratou assassinos (...) foi ter com o irmão e disse: "Querido irmão, sei de um tesouro escondido. Vamos escavá-lo juntos e dividi-lo." (...) quando saíram, os assassinos precipitaram-se sobre ele, amarraram-no e prepararam-se para o enforcar numa árvore. (...) ouviu-se ao longe uma grande cantoria e um tropel de cavalos (...) Enfiaram à pressa o prisioneiro no saco, penduraram-no num ramo e desataram a fugir. (...) Ora quem se aproximava era um estudante em viagem (...) Quando o outro lá em cima reparou que ia a passar alguém lá em baixo, gritou: "Bons dias! Apareceste em boa hora!" O estudante olhou para todos os lados e não percebeu de onde vinha a voz, dizendo por fim: "Quem me chama?" E ele respondeu (...) "Levanta os olhos. Estou sentado cá em cima, no saco da sabedoria. (...) Comparadas com o saco, as escolas são todas uma grande piada. daqui apouco terei aprendido tudo. Nessa altura desço daqui e serei o mais sábio dos homens. (...) O estudante, ao ouvir aquilo tudo, ficou muito surpreendido e disse: "Bendita seja a hora em que te encontrei. Será que também não posso ir um pouco para dentro do saco?" O outro lá em cima respondeu (...) deixo-te entrar um bocadinho, mas vais ter de esperar uma hora, que ainda me falta uma coisa para aprender." (...) o estudante (...) começou a ficar impaciente e pediu ao outro que o deixasse entrar de imediato, tão grande era a sua sede de sabedoria. Então o outro fez como se estivesse a ceder e disse: "Para eu poder sair do saco da sabedoria, tens de o fazer descer pela corda e poderás depois entrar." Então o estudante fê-lo descer, desamarrou o saco e libertou-o (...) E fez menção de entrar logo no saco. "Para!", exclamou o outro. "Isto assim não vai." Pegou-lhe pela cabeça e enfiou-o de cabeça para baixo dentro do saco, atou-o e puxou a corda, alçando o jovem pela árvore acima no saco da sabedoria. Depois fê-lo balouçar no ar e disse: "Como vai isso aí, meu caro? Olha, já deves estar a sentir a sabedoria a chegar e a ter uma boa experiência. Fica aí sentadinho muito quietinho até ficares mais esperto." E dito isto, montou o cavalo do estudante e foi-se embora, mas passada uma hora enviou alguém para o tirar de lá de cima."

Vitória, vitória, assim acaba a história...

A beterraba

Em tempos de crise, nada como regressar à agricultura... como o herói da nossa história bem comprova e, de igual modo, a atual realidade económica! A ganância também não dá bons resultados (embora esta seja uma noção que, aplicando-se sempre literalmente no domínio das histórias, pois o castigo nunca deixa de se fazer sentir na pessoa do vilão ganancioso, no dia-a-dia real tem de ser relativizada e vista numa perspetiva de "sanção" moral a que os indivíduos sujeitam elementos prevaricadores da sua comunidade, como forma de regular as interações sociais!!!)... 
Em todo o caso, e visto que é nossa intenção "plantar palavras", fica este conto como forma não só de introduzir uma outra área do conhecimento, a língua e a literatura, mas, também, cruzar domínios do saber, com o remeter para as ciências e para o conhecimento da natureza que as práticas de cultivo implicam. E se, nas nossas hortas, mesmo nas urbanas tão em alta atualmente, não formos tão sortudos como o nosso herói na semeadura e no plantio das novidades, certo há que existe quem o seja, ou não haveria a possibilidade de expor exemplares tão excecionais como se faz na Feira das Colheitas, em Arouca, todos os anos, em setembro. 

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