Retomando o tema “Bibliotecas
Escolares, Professores Bibliotecários, literacia científica e cidadania ativa:
tudo por um planeta melhor”, começo por problematizar parte do mesmo, citando
aqui o artigo publicado no jornal Público online, do dia 3 de dezembro de 2013,
em que se pode ler:
“Os
jovens portugueses que responderam às provas no âmbito do PISA (Programme for
International Student Assessment), levado a cabo pela Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), ficam ligeiramente aquém da
média da OCDE para a literacia em leitura e em ciências e, comparativamente à
última avaliação, descem alguns pontos e lugares no ranking. No entanto, a
organização considera que o país está de parabéns uma vez que, anos após ano,
foi melhorando o seu desempenho nestas duas áreas (…).
Na
literacia em ciências, os resultados são piores, quando comparamos 2009 com
2012. Então, Portugal situou-se na 24.ª posição com 493 pontos e a média da
OCDE era de 501. Três anos depois, o país desce dois lugares e fica-se pelos
489 pontos quando a média se mantêm nos 501. (…)
Nas
ciências, apenas 0,3% dos alunos portugueses consegue obter uma classificação
de nível 6, ou seja, consegue identificar, explicar e aplicar conhecimento
científico e conhecimento sobre ciência a situações complexas do dia-a-dia. São
alunos que revelam ter um pensamento e um raciocínio maduro. A média da OCDE é
de 1,2%. É no nível 3 que mais portugueses estão classificados (31,4%),
ligeiramente acima da média da OCDE (28,8%). São alunos que conseguem
identificar e descrever temas científicos; conseguem seleccionar factos e têm
conhecimentos para explicar um fenómeno ou aplicar um modelo simples. Um quinto
dos alunos portugueses (19%) responde para nível 1, ou seja, revela
conhecimentos muito básicos e não consegue aplicá-los em situações próximas. A
média da OCDE é de 17,8%.”
Portanto,
relativamente a 2006, o primeiro ano em que os alunos foram avaliados a
ciências no âmbito do PISA, registou-se uma evolução constante, tal como se verifica,
também, na literacia em leitura. Creio não ser incorreto reclamar para as
bibliotecas escolares uma quota-parte de responsabilidade neste estado de
coisas, pela articulação que têm conseguido estabelecer com os curricula, incluindo os de Ciências,
pela ação que têm na implementação do Plano Nacional de Leitura (a resposta
institucional aos maus resultados nos primeiros estudos PISA que os nossos
alunos apresentaram no âmbito da leitura) e pelos próprios planos de atividades
e de ação que têm sabido orientar para o desenvolvimento das literacias junto
dos alunos.
Entre
os contextos utilizados na avaliação de literacia científica logo no PISA 2006 encontra-se
o que se prende com os recursos naturais, tanto a nível pessoal, no que
concerne o consumo de materiais e de energia, como a nível social, da
comunidade, no tocante à sustentabilidade das populações humanas, à qualidade
de vida, à segurança, à produção e à distribuição
de comida e ao fornecimento de energia. No que diz respeito aos recursos
naturais e à chamada de atenção para a necessidade de adotar comportamentos e
soluções de consumo e de uso do planeta distintos dos que têm vindo a ser progressivamente
seguidos desde a Revolução Industrial as bibliotecas escolares podem, também,
ter um importante papel cívico e interventivo.
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