terça-feira, 15 de abril de 2014

BE, PB, PISA e PNL...

  Retomando o tema “Bibliotecas Escolares, Professores Bibliotecários, literacia científica e cidadania ativa: tudo por um planeta melhor”, começo por problematizar parte do mesmo, citando aqui o artigo publicado no jornal Público online, do dia 3 de dezembro de 2013, em que se pode ler:
   “Os jovens portugueses que responderam às provas no âmbito do PISA (Programme for International Student Assessment), levado a cabo pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), ficam ligeiramente aquém da média da OCDE para a literacia em leitura e em ciências e, comparativamente à última avaliação, descem alguns pontos e lugares no ranking. No entanto, a organização considera que o país está de parabéns uma vez que, anos após ano, foi melhorando o seu desempenho nestas duas áreas (…).
   Na literacia em ciências, os resultados são piores, quando comparamos 2009 com 2012. Então, Portugal situou-se na 24.ª posição com 493 pontos e a média da OCDE era de 501. Três anos depois, o país desce dois lugares e fica-se pelos 489 pontos quando a média se mantêm nos 501. (…)
   Nas ciências, apenas 0,3% dos alunos portugueses consegue obter uma classificação de nível 6, ou seja, consegue identificar, explicar e aplicar conhecimento científico e conhecimento sobre ciência a situações complexas do dia-a-dia. São alunos que revelam ter um pensamento e um raciocínio maduro. A média da OCDE é de 1,2%. É no nível 3 que mais portugueses estão classificados (31,4%), ligeiramente acima da média da OCDE (28,8%). São alunos que conseguem identificar e descrever temas científicos; conseguem seleccionar factos e têm conhecimentos para explicar um fenómeno ou aplicar um modelo simples. Um quinto dos alunos portugueses (19%) responde para nível 1, ou seja, revela conhecimentos muito básicos e não consegue aplicá-los em situações próximas. A média da OCDE é de 17,8%.”
   Portanto, relativamente a 2006, o primeiro ano em que os alunos foram avaliados a ciências no âmbito do PISA, registou-se uma evolução constante, tal como se verifica, também, na literacia em leitura. Creio não ser incorreto reclamar para as bibliotecas escolares uma quota-parte de responsabilidade neste estado de coisas, pela articulação que têm conseguido estabelecer com os curricula, incluindo os de Ciências, pela ação que têm na implementação do Plano Nacional de Leitura (a resposta institucional aos maus resultados nos primeiros estudos PISA que os nossos alunos apresentaram no âmbito da leitura) e pelos próprios planos de atividades e de ação que têm sabido orientar para o desenvolvimento das literacias junto dos alunos.
   Entre os contextos utilizados na avaliação de literacia científica logo no PISA 2006 encontra-se o que se prende com os recursos naturais, tanto a nível pessoal, no que concerne o consumo de materiais e de energia, como a nível social, da comunidade, no tocante à sustentabilidade das populações humanas, à qualidade de vida, à  segurança, à produção e à distribuição de comida e ao fornecimento de energia. No que diz respeito aos recursos naturais e à chamada de atenção para a necessidade de adotar comportamentos e soluções de consumo e de uso do planeta distintos dos que têm vindo a ser progressivamente seguidos desde a Revolução Industrial as bibliotecas escolares podem, também, ter um importante papel cívico e interventivo.

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